Para alguns lazer, para outros profissão. Jogar videogame hoje em dia é mais do que passar algumas horas se divertindo, como era há uma década atrás. O cenário competitivo cresceu muito nos últimos anos, vários nomes surgiram como lendas nos jogos eletrônicos, alguns até conseguem dessa atividade o seu sustento… Mas como explicar para as pessoas que não estão imersas nesse meio? 

Para aqueles que convivem diariamente, é mais fácil. Muitos pais jogam ativamente com seus filhos, mesmo que na casualidade. Tem aqueles que levam seus filhos aos torneios, na casa dos amigos para jogarem juntos, além dos pais que são jogadores profissionais. 

Seja qual o tipo de pai que você for, é sempre bom conhecer um pouco mais do universo dos games, principalmente se o seu filho é um jogador. Algumas perguntas que os pais fazem são: jogar está desperdiçando a vida do meu filho? Valores negativos como violência  não estão sendo ensinados via videogame? Como vai ser a carreira profissional do meu filho, se ele só pensa em jogar videogame no seu tempo livre? Será que passar muito tempo no mundo virtual pode acabar prejudicando o relacionamento social dele?

Na questão financeira, podemos dizer que é possível viver apenas como jogador profissional de jogos eletrônicos nos dias de hoje, apesar de ainda ser muito difícil. Os poucos que conseguem esta proeza são aqueles que se destacam naquilo que fazem, dentre os milhares que competem torneios afora. Esses jogadores viajam de um local pra outro para participar dos eventos e normalmente suas custas de viagens são pagas por empresas que buscam divulgação de seus produtos. Alguns recebem salários, outros somente os valores de premiação que conseguirem, se forem vencedores. Não há nenhuma lei no Brasil que regulamente a matéria, até porque essa atividade, por mais habilidosa que seja, tem muitas variáveis, e assim fica difícil definir os limites.

A maioria, claro, não ganha nada jogando. O custeio das viagens, da estadia em locais em que há competições, o gasto com equipamentos (controles novos, manutenção de peças) é normalmente pago pelo próprio jogador. Há EQUIPES de jogadores que se juntam com o propósito de se ajudar mutuamente, inclusive na questão financeira, em que alguns membros patrocinam outros.

Há de se considerar que a ideia de trabalhar como “atleta de jogo eletrônico profissional” ainda é muito recente para a maioria. Mesmo assim, o progresso feito até agora é imenso. Na Coreia do Sul, existe até canal de televisão dedicado aos esportes eletrônicos! O site www.twitch.tv é famoso pela transmissão de torneios, alguns chegando a mais de 500.000 espectadores AO VIVO… Torneios esses que podem pagar prêmios milionários às equipes vencedoras. Quem não adoraria trabalhar fazendo o que gosta e ainda se divertindo?

No que diz respeito ao convívio social, os jogos tem um lado positivo e negativo. Quando você está imerso no mundo virtual, fazer contato com outros jogadores é bem fácil, e a questão do interesse comum por games e tecnologia é um ponto inicial muito forte. As amizades vão além da telinha em muitos casos, quando os jogadores se reúnem em convenções, feiras, campeonatos e outros eventos relacionados, isso sem contar as várias vezes que jogadores se deslocam para se conhecer pessoalmente, na mesma cidade ou não, por conta da amizade que surgiu jogando videogame. O lado negativo é que os games são mundos fictícios para onde podemos fugir das obrigações do mundo real, o que se torna um problema somente quando essa atividade é realizada em excesso. Lembre-se que tudo com moderação faz bem, inclusive das aquela escapadinha pros games de vez em quando! Afinal, quem consegue viver exclusivamente do mundo real, sem às vezes sonhar um pouco?

Também vale a pena falar dos benefícios motores e mentais que os games proporcionam. Todos os jogos contribuem nesse aspecto de alguma forma, mas falando dos jogos de ação (luta, corrida, aventura, tiro, MOBA, etc) que exigem do jogador rápida reação motora e boa tomada de decisões, os benefícios são ainda maiores. Jogos que tem a função multijogador (principalmente online, pela praticidade de se encontrar oponentes a qualquer momento do dia) fazem com que a pessoa esteja constantemente competindo com outro ser humano que, diferentemente de um computador, consegue executar e criar ações específicas para cada situação, improvisar jogadas, estratégias, planejar, adaptar-se o tempo inteiro e ainda ter que aprender a trabalhar em equipe. Não é à toa que hoje em dia os jogos competitivos sejam considerados uma modalidade de esporte, devido ao grande treinamento exigido.

Falando agora especificamente dos JOGOS DE LUTA, por trás da aparente diversão tem muita dedicação. Ser jogador profissional não é fácil.  São muitas horas, dias, meses treinando combos, memorizando ataques, valores de frame data, tamanho de hitboxes, matchups, treinar estratégias de ataque e defesa. É necessário tomar decisões inteligentes em centésimos de segundo – muitas delas no improviso, adaptar-se para contra atacar a estratégia do seu oponente, sob o risco de ser eliminado do torneio inteiro em menos de 10 minutos … isso em jogos com até 60 personagens diferentes!!! E ainda ter que lidar com a pressão de milhares de pessoas que estão assistindo, independente de estarem torcendo contra ou a favor. É muito mais difícil do que parece. Por sinal, dos gêneros de games, os jogos de luta são os que mais exigem treinamento motor quando o jogador está em ambiente competitivo.

Organizar um torneio também náo é fácil. Há equipamentos para conseguir, televisões, videogames, computadores, câmeras, microfones, Staff para auxiliar com atividades braçais e técnicas — são necessários narradores, pessoas com conhecimento técnico em transmissões ao vivo, outros para fazer a divulgação, confecção dos troféus, etc — e reunir um número suficiente de jogadores para fazer valer a pena.

E apesar de todas as dificuldades, a JAB apoia a causa, a “Cena competitiva de jogos de luta” – ou FGC, em inglês (Fighting Game Community). Nosso site foi feito para aqueles que compartilham nosso sonho de tornar os e-sports (esportes eletrônicos) uma paixão a nível nacional. Você sabia que pelo menos 1 vez por ano, acontecem torneios de jogos de luta em cada um dos 27 Estados brasileiros? (dica: pesquise em nossa seção de torneios). Essas competições são organizadas por grupos locais. Algumas delas como a Cacomp Arena Jam, Treta Championship, Fight in Rio atraem jogadores de vários Estados. E não estamos falando apenas de competir para concorrer ao prêmio, pois a maioria também viaja para fazer turismo, conhecer os jogadores locais e formar novas amizades.

Com isso em vista, nós da JAB trabalhamos para que os jogos eletrônicos de luta sejam reconhecidos, divulgados, e para que a nossa comunidade cresça e se torne forte, seja para aqueles que são usuários de jogos ou espectadores. Apoiamos a ideia de jogo eletrônico como lazer e como esporte competitivo e por isso esperamos participar positivamente das mudanças no cenário competitivo e casual brasileiro.

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